Sonhos e Farturas, sem Esperança

07.05.12

Cada um de nós tem os seus sonhos. Sonho bonitos, sonhos feios, ... Neste caso, prefiro dizer que cada um de nós terá a sua esperança. Esperanças, sonhos, ... que interessa? A política é feita de tudo!

 

É feita, especialmente de aldrabões. Os aldrabões também têm esperança! Aldrabões com a ajuda das tais pessoas que têm sonhos, que têm esperanças. Por fim, acaba tudo numa caldeirada de mentiras. De um modo geral, as políticas dos vários países é construída por sonhadores, normalmente, sonhadores fracos. Mas eu vou mais longe! Os povos sonham com uma vida boa, uma vida onde não falte nada, onde se trabalhe pouco e se ganhe muito. Isto é o sonho de todos os povos. Na Europa, na América, na África ... Querias!!!

 

Todos querem mais, todos queremos mais e todos, de um modo geral, se estão nas tintas para os outros.

Todo o político que concorre a eleições, aqui, ali, acolá, inicia sempre a corrida mentindo. Quantas vezes sem querer e quantas vezes a colocar as mãos a proteger a boca a ver se os dentes não caiem, lembrando-se das brincadeiras de meninos. Se mentes, caem-te os dentes todos! Por isso, quando eles falam em comícios, coçam a ponta do nariz para lhe dar para trás a ver se ele não vai crescer como o do Cyrano de Bergerac.

 

 

A imagem do nariz que começa a incomodar muitos políticos. Desculpa Cyrano, não é nada contigo. O nariz deles está ficar pior que o teu

 

Tivemos demonstrações destas em Portugal, em todas as eleições. Para mim, o maior aldrabão político de todos, foi o Sócrates, tanto nas eleições como governando. Com um riso sacanóide a prometer maravilhas quando já nem a Leonor tinha para ir buscar água à fonte e, se tivesse Leonor, a fonte já não tinha água. Depois veio o Passos Coelho, prometendo às escuras, as melhores luzes do mundo. Prometeu austeridade, isso é verdade, devido às negociatas com a Troica mas prometeu, também, que não cortaria subsídios, que não isto e que não aquilo ... Para mim, o Passos Coelho está a ser um segundo Sócrates. Noutro estilo mas, aldrabando, espartilhando comunicação, entre ele e os seus acompanhantes da mesma política e vice-versa, na mesma matéria. Por isso, hoje, eu não daria um vintém por um político nosso e se houvesse alguém que deveria ir para o desemprego em Portugal, poderiam ser os políticos todos. Claro que precisamos deles ou de um Concelhos de Anciãos, ou dos dois mas, gente responsável! Onde pára a responsabilidade dos nossos políticos? Todos, no ciclo dos virtuosos podem fazer o que lhes dá na real gana? Vamos a alterar essas leis, meus senhores!

 

Passos Coelho falou, falaram, ... em muitas coisas, na campanha eleitoral, que só lhe ficaria bem se as levassem a cabo. Falou da redução dos deputados na Assembleia da República. Por que será que um país minorca como Portugal, precisa de tantos deputados? Um terço ainda eram de mais! Depois da campanha eleitoral, acabou a farsa e nunca mais se falou no assunto!

Enquanto o povo português for esticando os últimos cêntimos não há crise para estes senhores, seja em nome da estupidez, seja em nome da austeridade, seja em nome de coisa nenhuma!

 

Agora vieram as eleições presidenciais, em França. Nicolas Sarkosy perdeu, François Hollande ganhou. Mas isso é um problema dos franceses. Estive atento ao último debate destes dois e penso que os franceses, espero enganar-me, vão chorar baba e ranho pelos seus votos desperdiçados. É lindo sentirmos-nos empolgados com promessas que ninguém pode cumprir. O pior será quando verem que não só falham as promessas como o castelo de cartas onde elas assentam, começa a ruir. Se a Europa no seu conjunto, não der a volta por cima, não haverá nenhum Hollande que salve a França!

Foi isso que aconteceu com os socialistas da Espanha, da Grécia, de Portugal, países que já estão a pagar o laissez faire, laissez passer que a coisa dá sempre. Agora só nos resta aguardar, neste vaivém de quem presta, para ver quem vai deitar as mãos a tudo isto.

 

Os políticos europeus não prestam! Não prestam porque não irradiam nos seus povos, uma réstia de esperança. Tudo foi conquistado por meia dúzia que, de punho no ar ou de dedo em riste se vão alternando no poder, sempre a roubarem os seus povos. Há políticos a mais a viverem às custas do Zé Pagode e cada vez está a haver menos Zé Pagode para pagar.

Quando eu observo a montanha de privilegiados que há em Portugal, por exemplo, só fico com vontade de ser mauzinho e pedir ao Senhor da Esfera que um raio limpe esses crápulas todos. Como é possível que haja alguém que, pelo facto de ter sido Presidente de um Banco, obtenha uma reforma de centenas de milhares de euros?! Não admito que, 38 anos depois, da revolução de Abril, haja tão grandes disparidades na sociedade portuguesa. Estes gajos deveriam de ter vergonha, mas aldrabões, vigaristas e tanta gente sem vergonha, foi o que surgiu com o 25 de Abril e, do 25 de Abril, para além da liberdade de expressão, seria esperado algo mais para matar a fome a quem trabalha e tem filhos para criar e educar. Como dizia o outro, o povo continua a ser sereno!

 

Será que esta malta que se vira para a política tem de facto intensão de dar a volta a tanta injustiça? Já não me parece!

 

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Sei que não há homens perfeitos mas, também sei que há uns mais perfeitos que outros. Sempre admirei Abraham Lincoln e, a sua casinha de madeira, por tudo que li sobre ele. Achava, noutros tempos, que ele seria um bom Rei do Mundo

publicado por Ventor às 23:54

A Feira do Livro

24.04.12

Abriu a Feira do Livro no Parque Eduardo VII, em Lisboa.

Houve tempos que essa feira, nos meus tempos primordiais, se realizava na Av. da Liberdade. Hoje realiza-se mais acima, no Parque Eduardo VII. Nesta fase da vida do país, não será tanto, não sei mas, a Feira do Livro de Lisboa, era para mim e para muita gente, uma realização cultural de muitíssima importância.

 

Já lá vão os tempos em que eu saía a correr do escritório onde trabalhava e caminhava, acelerado, rumo à Feira do Livro.

Quando a feira se realizava na Avenida da Liberdade, eu descia por uma fila de lojinhas e bisbilhotava tudo de uma ponta à outra. No dia seguinte fazia-o na outra fila e noutro dia, caminhava pelo outro lado da avenida e repetia tudo do lado contrário. Eram as visões gerais por sectores da feira. Depois dava as minhas caminhadas especializadas e ia observando o que mais me poderia interessar.

 

Quando a feira mudou para o Parque Eduardo VII, a volta alargou mais mas, não deixava de ser, nessas minhas caminhadas, rumo à Estação do Rossio, um local de belas observações livreiras. Aliás, as livrarias e as bibliotecas eram os meus locais preferidos na última quarentena da minha Lisboa do Séc. XX. Só que o tempo mata tudo e comigo, cometeu a rudeza de me assassinar o gosto de caminhar pelas feiras do Livro.

Perdi a vontade de ler, com o mesmo afinco, os belos livros editados pelos anos fora. Chegou-se a mim, entretanto, paredes meias com os livros, a fase da acutilância dos jornais diários, dos jornais semanários, das revistas políticas e económicas, o tempo da fase revolucionária onde todos queríamos saber tudo.

 

 

A minha homenagem à Feira do Livro de Lisboa - a todos os livros

 

Líamos as coisas uns dos outros e eu nunca tive problema nenhum em ler os editoriais revolucionários de Abril nem os editoriais ditos fascistas. No meu emprego, haviam todas as cores políticas e predominavam as "esquerdas" revolucionárias onde todos os pasquins estavam representados e, quando se aproximavam da minha secretária, admiravam-se de ver os pasquins reaccionários, como o Tempo, a Rua, o Expresso (o mais aceitável) e tantos outros. Tu não tens vergonha de ler essas merdas?

 

Não! Não permito que vocês me façam lavagens ao cérebro com coisas que nem preciso de ler, vós encarregais-vos disso. Por isso, tenho de comprar estes para não ficar monocórdico!

Era uma guerra total todos os dias! Mas, a mais renhida, era entre mim e os meus amigos devoradores do Avante. Depois, entre uns e outros, lá caminhávamos nós, rumo à Feira do Livro, discutindo sobre os problemas deste país que descontentavam todos tal como até ao dia 24 de Abril, véspera do célebre 25.

 

Hoje, na Feira do Livro, os trabalhadores barricam-se a discutir contra a entidade patronal. Também os Senhores do 25 de Abril se barricam por aí, algures, fazendo beicinho contra o Governo porque lhes vai ao bolso, tal como estão a ir ao bolso a mim e a todo o povo português. A Democracia, julgo eu, e penso que julgam todos aqueles que serão realmente democratas, não se leva a cabo a fazer beicinho de meninos mimados. A democracia faz-se com seriedade discutindo os problemas que avassalam os portugueses.

Não seja assim e não vale a pena fazerem beicinho de meninos mimados!

As regras democráticas deveriam avassalar todas as forças vivas e não só aqueles fétidos cheiros partidários.

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Sei que não há homens perfeitos mas, também sei que há uns mais perfeitos que outros. Sempre admirei Abraham Lincoln e, a sua casinha de madeira, por tudo que li sobre ele. Achava, noutros tempos, que ele seria um bom Rei do Mundo

publicado por Ventor às 23:29

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