Como devem calcular, não será difícil, aqui, o vosso amigo Ventor não é santo. Pois não. Não sou santo nenhum!

Não bebo o vinho da missa nas igrejas mas, durante as minhas caminhadas, por vezes, cansado e sedento, vou dar com grande Maralhal que continua, à moda antiga, a beber o velho copo de três, do tal carrascão, que muitos de nós conhecemos.

 

 

O melhor é ver antes aqui a Família Pingas

 

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Estes sítios, a que chamamos tascas, há quem lhes chame, as capelinhas do povo ... do povo, onde os Manéis, os Joãos, os Antónios, os Zés do Manguito e, muitos outros, apagam o fogo das suas angústias.

 

Nas tascas, nas tais capelinhas, fala-se de tudo. Até se fala da ASAE! E, falando-se da ASAE terá de se falar mesmo de tudo! A ASAE isto, a ASAE aquilo, mas enfim!

 

Mas os frequentadores das tascas não são apenas os constituintes da velha sepa lusitana que se enfrosca nessas capelinhas e, depois de toldados, chegam a casa e começam a bater nas suas Marias e, coitadas, nada têm a ver com as suas frustrações.

 

Ali, nas velhas tascas, encontramos, quase sempre, gente de quase todas as etnias e das classes sociais que constituem a nossa sociedade, a quem, normalmente, a vida corre mal, ou mesmo, muito mal!

 

Desde o trolha, o padeiro, o carpinteiro, o sapateiro, o chaufer de táxi, o condutor da carris, os reformados, o licensiado desempregado, os já pilulas da cabeça ... todos andam por lá. Uns a gastar os cêntimos dos subsídios que ardilmente vão conseguindo, outros a lavar o espírito das atrocidades com que o destino os brindou. Assim, nestes belos momentos de oportunidade onde tento saciar a minha sede, ouço nas suas conversas de tasca, a voz do povo.

 

Ontem, 20 de Fevereiro de 2008, mal entrei numa dessas capelinhas para beber o meu Ice Tee fresco e com sabor a manga, ouvi umas conversas muito animadas, saídas do meio dos frequentadores, velhos ou novos clientes da tasca, que foram meus companheiros, durante alguns momentos, não da minha caminhada, mas da minha pequena pausa durante a mesma. Tudo começou assim.

 

"Este país está podre"!

 

"Está podre em todos os sentidos e está podre, até, nas coisas mais simples. Faz-se um grande alaréu sobre tudo, mas não passa de conversas de chacha dos políticos. Quando é para trabalhar, nem os gajos trabalham, nem arranjam trabalho para quem tem o gosto e a necessidade de trabalhar".

 

"O Governo do Sócrates começou a governar este país sob o signo das aldrbices. Não cumpriu nenhuma promessa. Na campanha eleitoral foram só converss fiadas, promessas fiadas! Tudo muito bonito. Levou os incautos a votar nele (até eu, maldita a hora em que me levantei cedo), e mal tomou o poder, fez tudo ao contrário do prometido"!

 

"Começou a falar de reformas e, reforma que se digne do nome, ainda não vi uma"! A única reforma que me tocou foi o desemprego e agora, até para beber um copo, tenho de recorrer aos amigos".

"Foi ao bolso de todos os portugueses que trabalham, mas não foi aos bolsos dos políticos. Os políticos e os ditos gestores (os ditos gestores, ah ... gestores públicos, de empresas que já foram públicas e mais uma ou outra que nasceram privadas) são a escória da sociedade portuguesa. Permitem-se fazer tudo! Banqueteiam-se com o nosso suor. De quem é a culpa? Em S. Bento legislam como convém para eles. Primeirissimamente para eles. E não estão satisfeitos. Ainda querem mais! Os pobres "hominhos" ganham pouco"!

 

"Os portugueses, todos arrotam com língua de palmo e meio as quinhentas necessárias para manter toda uma chulice polítca, que mais não são do que uma classe de párias da nossa sociedade que, como sempre, vivem à custa de quem trabalha"

 

"Todos nós sabemos que é preciso fazer reformas, mas as reformas deste (des)Governo do Sócrates, só podem ter um nome: são as «reformas do saque». Sacam tudo ... e (virando-se para um deficiente sentado numa cadeira com as duas canadianas ao lado) até sacam os deficientes"!

 

"Vocês conseguem ver vergonha na cara destes ... destes ... deixo-vos os nomes à vossa escolha, há tantos"! ...

 

«De facto, é verdade tudo o que dizes», acorreu outro aplaudindo aquela espécie de discurso da oposição!

«A vida, em Portugal, só está boa para estes politiqueiros que avassalam o país e para todos aqueles que vivem de expedientes. Aliás, os políticos também só vivem de tramas e de muios expedientes e os que vivem de expedientes são mais que muitos. Este é um deles"!  (e apontou para um que estava sentado a ouvir os diálogos que se misturavam no meio dos frequentdores da tasca).

 

E continuou. "Eu já me apercebì, há muito, que este país é constituído por três classes: a classe dos políticos que tão bem sabem viver do expediente que a política lhes proporciona, a classe dos que trabalham ou que já trabalharam e a classe dos que vivem apenas dos expedientes que os políticos, em nome do social, lhes proporcionam".

 

"Costuma-se dizer que, no meio é que está a virtude. Mas eu não vejo virtude nehuma em deixarmo-nos expuliar como carneiros.

Alguém vê"?

 

 

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Sei que não há homens perfeitos mas, também sei que há uns mais perfeitos que outros. Sempre admirei Abraham Lincoln e, a sua casinha de madeira, por tudo que li sobre ele. Achava, noutros tempos, que ele seria um bom Rei do Mundo

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publicado por Ventor às 14:54