Cá estou eu, o Marcodalem, para o resto da História que o Ventor acabou por me contar.

O Ventor tem muitos problemas mas, depois de dar uma caminhada com outros amigos, como o melro Tobias e seus filhotes, patos, patinhos e patões, como o seu amigo Pingas, as galinhas d'água, as garças, os pombos bravos, as rolas turcas, os gaios e muitos outros penudos, tudo fica diferente.

 

Por isso, hoje aproximei-me dele e perguntei-lhe se já me podia contar o que faltou da conversa nessa Tasca de Lisboa.

 

E, o Ventor, tentou, sem esforço, recordar algumas das conversas que ouviu nessa Tasca e apenas por esse grupinho de amigos. Mas, conversas como esta, pelas tascas de Lisboa, da Amadora e muitos outros sítios, por onde o Ventor passa, nunca têm fim!

 

O Ventor disse-me que, conversas destas, fazem de uns, nossos amigos e, de outros, nossos inimigos. Mas eu, tal como o Ventor, estamos-nos nas tintas para os gostos de cada um. O objectivo é fazer com que aqueles que passam por aqui reflictam no que os espera ou pode vir a esperar após o 5 de Junho de 2011. Aliás, acho que todos nós sabemos o que nos espera e, para aqueles que têm dúvida, ouçam o resto da conversa entre estes 4 amigos.

 

Dizia um dos tais amigos:

"A mestria com que José Sócrates apresentou o final das negociações com a Troika só pode ter acontecido porque, ele está a aperceber-se que os portugueses, na sua generalidade, cada vez se tornam mais «patos» e, ele, escolheu o momento ideal. O intervalo de um jogo de futebol que, para uns mais e para outros menos, não deixariam contudo de estar com os olhos fitos na televisão. Real Madrid e Barcelona, não são umas equipas quaisquer e, nesse dia, estavam muitos de olho nesse jogo. Por isso, no intervalo, estariam também, com os olhos no Sócrates"!

 

"Ele disse para patos", prosseguiu o tal indivíduo, "afinal, não vão ficar sem o 13º mês, nem sem o 14º mês, nem vão baixar os ordenados, nem isto, nem aquilo" ...

 

"Ficar sem o subsídio de férias e sem o subsídio de Natal, seria, em termos psicológicos, arrasador para 80 a 90% de todos aqueles que apoiaram José Sócrtates nas suas fanfarronadas de promessas eleitorais, nas últimas eleições.

O que Sócrates não disse, porque isso passaria à margem ou o disse de modo a não ser muito audível, foi que os portugueses iriam ser lixados com um grande «F» mas, isso passaria à margem".

 

"Não disse, por exemplo, com o mesmo impacto do 13º e 14º mês que, os ordenados e as reformas iriam ser congelados durante 3 anos ou mais (?), durante a imposição do programa da Troika mas, de facto, na sua generalidade, eles já estão congelados, na prática!

Não dise que, no último ano, a inflação subiu 4% mais qualquer coisa e que, nos próximos três anos, se o Sócrates nos disser que a inflação não irá passar dos 2%, como pretenderá o BCE, atendendo às verdades do Sócrates, ela poderá ser multiplicada por três e acabar em seis, ou mais"!

 

"Todos os anos a inflação a subir, com ordenados e pensões congelados, aumento de impostos e dos escalões de IRS e, sei lá que mais, os portugueses ficarão na prática, sem muito mais que o 13º e o 14º mês".

 

"Ma todos sabemos que, o Sócrates irá dizer que não! Vai dizer que, com ele no Governo, tudo irá correr às mil maravilhas nos três anos da Troika. Vai dizer-nos que iremos importar pouco e exportar muito e até, se calhar, voltará à sua máxima: «arranjar novos empregos, não para 150.000 mas, talvez alguns 300.000! À primeira falhou, à segunda falhou mas, à terceira, será de vez"!

 

"Do Sócrates é de esperar tudo. Tudo sim! Sim porque, o Sócrates, como ele se farta de apregoar aos 7 ventos (ou serão mais?), é um homem optimista e, nesse prisma optimista, o optimismo, mantém as nações de pé! Isto irá sempre, nas perspectivas do Sócrates! Se não arranjar mais nada para vender, ele venderá o seu optimismo. Talvez a Srª Merkel, compre! Porque não"?

 

"De facto, ele fez tudo bem feito. Ninguém faria melhor que ele! Ninguém venderia mais computadores Magalhães que ele! Ninguém teria feito mais por Portugal que ele! Encheu os nossos cofres de dívidas, duplicou-as em seis anos. Foi, na realidade, um feito extraordinário"!

 

"Esse optimismo do Sócrates faz lembrar o de Vasco Gonçalves no seu discurso de Almada, em 1975. Nessa altura, ao lado de Mário Soares e outros, fui para a rua gritar «fora o Vasco». Hoje, mesmo depois de votar nele, já ando na rua gritando, «fora o Sócrates»"!

 

"Então, bastaram nove (o Grupo dos Nove)! Hoje serão precisos muitos mais. Mais homens e menos «patos», para que Portugal não entre numa ruína maior que a que está à vista. Estará tudo à vista?

Uma aragenzinha que fez tremelicar os estores de alguns bancos, a nível internacional, foi o suficiente para Sócrates gritar a todos os quadrantes que a crise foi internacional. Mas qual crise? Não houve crise para entrar dinheiro a rodos neste país para o Sócrates desbaratar na sua política de caca".

 

E o tal indivíduo prosseguiu: "estou convicto que, qualquer político em Portugal, saberá velar melhor pelos destinos do nosso país e pelo nosso povo do que Sócrates e todos esses escroques socialistas que o rodeiam".

 

"Há seis anos que me tentei convencer que o Partido Socialista terá melhor gente que esta que nos apresenta mas, hoje, depois do que vi neste último congresso, já não me restam dúvidas. O melhor é esquecermos-nos deles"!

 

O Ventor disse-me que o tal homem pagou as cervejas e, ao sair, voltou-se para o seu amigo da Tasca, recebeu o troco e disse-lhe: "não me admiraria se um dia quiser vir aqui beber uma cerveja, num dia quente como este e não ter dinheiro para a pagar. Ainda temos trabalho mas a pergunta está no ar. Por quanto tempo"? 

***********************



Sei que não há homens perfeitos mas, também sei que há uns mais perfeitos que outros. Sempre admirei Abraham Lincoln e, a sua casinha de madeira, por tudo que li sobre ele. Achava, noutros tempos, que ele seria um bom Rei do Mundo

tags:
publicado por Ventor às 19:20