Abriu a Feira do Livro no Parque Eduardo VII, em Lisboa.

Houve tempos que essa feira, nos meus tempos primordiais, se realizava na Av. da Liberdade. Hoje realiza-se mais acima, no Parque Eduardo VII. Nesta fase da vida do país, não será tanto, não sei mas, a Feira do Livro de Lisboa, era para mim e para muita gente, uma realização cultural de muitíssima importância.

 

Já lá vão os tempos em que eu saía a correr do escritório onde trabalhava e caminhava, acelerado, rumo à Feira do Livro.

Quando a feira se realizava na Avenida da Liberdade, eu descia por uma fila de lojinhas e bisbilhotava tudo de uma ponta à outra. No dia seguinte fazia-o na outra fila e noutro dia, caminhava pelo outro lado da avenida e repetia tudo do lado contrário. Eram as visões gerais por sectores da feira. Depois dava as minhas caminhadas especializadas e ia observando o que mais me poderia interessar.

 

Quando a feira mudou para o Parque Eduardo VII, a volta alargou mais mas, não deixava de ser, nessas minhas caminhadas, rumo à Estação do Rossio, um local de belas observações livreiras. Aliás, as livrarias e as bibliotecas eram os meus locais preferidos na última quarentena da minha Lisboa do Séc. XX. Só que o tempo mata tudo e comigo, cometeu a rudeza de me assassinar o gosto de caminhar pelas feiras do Livro.

Perdi a vontade de ler, com o mesmo afinco, os belos livros editados pelos anos fora. Chegou-se a mim, entretanto, paredes meias com os livros, a fase da acutilância dos jornais diários, dos jornais semanários, das revistas políticas e económicas, o tempo da fase revolucionária onde todos queríamos saber tudo.

 

 

A minha homenagem à Feira do Livro de Lisboa - a todos os livros

 

Líamos as coisas uns dos outros e eu nunca tive problema nenhum em ler os editoriais revolucionários de Abril nem os editoriais ditos fascistas. No meu emprego, haviam todas as cores políticas e predominavam as "esquerdas" revolucionárias onde todos os pasquins estavam representados e, quando se aproximavam da minha secretária, admiravam-se de ver os pasquins reaccionários, como o Tempo, a Rua, o Expresso (o mais aceitável) e tantos outros. Tu não tens vergonha de ler essas merdas?

 

Não! Não permito que vocês me façam lavagens ao cérebro com coisas que nem preciso de ler, vós encarregais-vos disso. Por isso, tenho de comprar estes para não ficar monocórdico!

Era uma guerra total todos os dias! Mas, a mais renhida, era entre mim e os meus amigos devoradores do Avante. Depois, entre uns e outros, lá caminhávamos nós, rumo à Feira do Livro, discutindo sobre os problemas deste país que descontentavam todos tal como até ao dia 24 de Abril, véspera do célebre 25.

 

Hoje, na Feira do Livro, os trabalhadores barricam-se a discutir contra a entidade patronal. Também os Senhores do 25 de Abril se barricam por aí, algures, fazendo beicinho contra o Governo porque lhes vai ao bolso, tal como estão a ir ao bolso a mim e a todo o povo português. A Democracia, julgo eu, e penso que julgam todos aqueles que serão realmente democratas, não se leva a cabo a fazer beicinho de meninos mimados. A democracia faz-se com seriedade discutindo os problemas que avassalam os portugueses.

Não seja assim e não vale a pena fazerem beicinho de meninos mimados!

As regras democráticas deveriam avassalar todas as forças vivas e não só aqueles fétidos cheiros partidários.

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Sei que não há homens perfeitos mas, também sei que há uns mais perfeitos que outros. Sempre admirei Abraham Lincoln e, a sua casinha de madeira, por tudo que li sobre ele. Achava, noutros tempos, que ele seria um bom Rei do Mundo

publicado por Ventor às 23:29