Não!

Não temos o direito de sonhar?

Não teremos, pelos vistos!

 

Num país onde só existem uma espécie de jagunços, tantos que quase nos conseguem cercar, todos os dias a todas as horas, parece mesmo ser proibido sonhar com o futuro, um futuro melhor, um futuro justo onde todos caibamos nas mesmas folhas dos direitos, dos deveres e das obrigações.

 

Senão, vejamos!

Há 38 anos, um punhado de homens, com boa ou má fé, conseguiram sonhar que, de facto, havia outros trilhos, para outras caminhadas. Aí, por dentro ou por fora dessa tal boa fé, mais ou menos convencidos de que sonhar não era impossível, gritaram basta!

Porém, o sonho, de cada um, foi sendo, pelos anos fora, transformado em pesadelo.

 

Todos gritaram, todos barafustaram que agora, já não estávamos sós, já caminhávamos na senda dos bons, que saímos do isolamento, de um certo ostracismo a que o mundo nos tinha votado, que a Europa estava connosco e nós estaríamos com ela e, para nosso bem, iríamos caminhar de mãos dadas.

 

Todos esqueceram que nós éramos um país livre, que não estávamos votados a nenhum ostracismo e que, aparte, a peripécia da algazarra internacional contra a nossa permanência em África, caminhávamos bem e de mãos dadas com o mundo e não apenas com essa velha caduca a que, um dia, os homens chamaram Europa.

 

Mas meia dúzia de sonsos, aparentemente políticos, todos aqueles a que eu chamei e continuo a chamar políticos de caca, torcidos e retorcidos na senda do oportunismo, acharam que a Europa era a mão para, a ela agarrados, trilharmos o mesmo caminho. Aquilo a que então chamaram de caminho solidário.

 

Foi solidário foi! É solidário é! Vejamos!

A troco de meia dúzia de "éros", como dizia um vendedor de hortaliças de Colares, eles foram desintegrando, taco a taco, tudo aquilo que Portugal tinha para sua glória futura. Mas esses politiquinhos ou politiqueirinhos que tal como o Mário Soares e muitos daqueles que lhes seguiram no encalço, nunca tinham feito nada, nada fariam, então, para manter o país com a coluna vertebral levantada e pela via do trabalho erguer o seu futuro.

Delapidaram tudo e, depois, venderam-no por trinta dinheiros. Dinheiros esses que tinham o nome de "subsídios"! Subsídios para isto, subsídios para aquilo, enfim, ... tudo que todos sabemos. Subsídios para liquidar as nossas indústrias, a nossa agricultura, as nossas pescas, ... tudo!

 

"Nós damos-vos umas coroas que se irão chamar Ecus e, depois, vocês mandam-nos os Ecus para trás e nós fornecemos-vos tudo o que necessitarem. Assim, vós não precisareis de nada! Nós produzimos e vocês vão-se entretendo a esfregar o rabo na areia a gerir a manutenção do essencial e, assim, todos seremos felizes".

 

Foi assim que o novo Portugal, saído do 25 de Abril, foi forjado! Por um vírus de incompetências. Os subsídios para a Formação eram tantos que forjaram doutorzecos feitos à pressa com uns examezitos "adoc" que não terão sido um mero acaso do rescaldo abrilista! Pelo que ouvimos e acreditando em todos aqueles que vão cuspindo saliva nessa nova "profissão" de comentadores, o rega-bofe dos doutorzecos e enginheirecos, continua bem e, pelos vistos, recomenda-se! Parece mesmo que é o que está a dar! 

 

Depois, em nome da qualidade e da liberalização, foram inventando novos parasitismos como essas organizações chamadas reguladoras, pagas a peso de ouro, tirado como todo o outro daqueles poucos que, afinal são quem o produzem, esquecendo-se que os produtores, cada vez são menos.

Entretanto, nas "caminhadas abortadas", saídas do 25 de Abril, também foram criadas as chamadas Comissões de Fixação de Vencimentos para nos mandarem poeira para os olhos. Estas comissões não permitirão abusos nos vencimentos dos Gestores que, lentamente e gulosamente, com esse nome pomposo, apenas nos informam, àqueles que não somos cegos nem surdos, que tudo vai bem no reino da Delapidação, onde se paga a estroinas ditos gestores com nomes pomposos como o CEO (Chief Executive Officer) ou o Chairman (o homem da cadeira).

 

Toda essa gente é paga a peso de ouro e, certamente, muitos deles nem a peso de cobre deviam ser pagos. Não é por acaso que, Portugal com tão pouca produção, tem os ordenados do topo mais elevados deste mundo. Sabem porque é que isto acontece? Não sabem? Não acredito! Não é por acaso que pagamos tudo mais caro em Portugal. Passamos a vida a alimentar chulos!

 

Depois, os sem vergonha, continuam no seu rega-bofe como se nada se passe! Vocês não sabem porque o Governo do Passos Coelho insistiu no Orçamento de 2013 com os mesmos erros do Orçamento de 2012, mesmo depois de chumbado pelo Tribunal Constitucional? Porque em Portugal não há responsabilidade para nada! Só por isso! 

Fizeram o orçamento, deram o mezito do subsídio de Natal aos pensionistas e funcionários públicos, roubaram-lho por outras portas e travessas e prepararam-se para ficar com o outro mezito de férias, sem delongas. Agora eu faço uma pergunta: "e se apetecesse a esses sem vergonha continuar a ficar com o mezito de férias"? 

Que faria o Tribunal Constitucional? Que faria o Presidente da República? Que faríamos nós?

Nada pois claro!

 

 

 

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Sei que não há homens perfeitos mas, também sei que há uns mais perfeitos que outros. Sempre admirei Abraham Lincoln e, a sua casinha de madeira, por tudo que li sobre ele. Achava, noutros tempos, que ele seria um bom Rei do Mundo

publicado por Ventor às 21:02