Hoje resolvi preencher uma das minhas páginas brancas!

Há dias, fui à serra de Sintra para ver se já encontrava por lá flores de carrascas. Em 2005, em 6 de Fevereiro, já fotografei as flores de uma das tais ericas rasteiras que por lá há. Na mesma data, deste ano de 2007 caminhei por lá, mas nada das minhas flores da saudade. Elas estavam lá somidas na verdurinha eterna das queridas folhinhas das ericas.

 

Em fins de Fevereiro deste ano, voltei a passar por lá e nada das minhas florzinhas rosas. Mas ontem, fui ver os meus amigos cisnes e lembrei-me de uma carrasquinha que havia por lá perto. A carrasquinha tinha sido cortada e desaparecido dali, provavelmente, morta num combate atroz com quem não percebe nada de flores e se diz jardineiro. Mas seja como for, eu sabia que existia outra perto desse local e resolvi dar uma olhada. Lá estava ela toda rosa escondida no meio do verde, sorrindo para mim. Fiquei contente por ela ter resistido à malvadez ou incúria de alguns para satisfação minha.

 

 

Tirei-lhe umas fotos e resolvi colocá-la aqui nas minhas páginas brancas. Foi ela que me despoletou o apetite pela companhia das suas parentas selvagens das minhas montanhas lindas. Comecei, em sonhos, a caminhar entre as belas florzinhas rosas de milhares de ericas e a ver as abelhas nas suas caminhadas eternas recolectando o néctar e aproveitar para fazerem o seu pé de dança e de música para animar o Ventor.

 

 

Desde logo iniciei uma caminhada de quilómetros imaginários entre as carrascas e as abelhas, sem esquecer a realidade desses quilómetros em tempos que já lá vão. Caminhando de outeiro em outeiro, estou agora aqui enquanto as teclas vão dando cor negra a mais uma das minhas páginas brancas que irei colorir com a cor rosada das belas ericas. Neste aproximar de mais um fim de caminhada de mais um inverno, quase a atingir a meta, as flores existem por todo o lado e são minhas companhias de sempre.

 

Flores de amendoeira, de abrunheiro, de ... tudo que o nosso parceiro Inverno trás, para poupar muito trabalho à sua maninha Primavera que, ao chegar, já vai encontrar tudo enfeitado e preparado para abrir maior pedalada à sua chegada sob as beneces de Apolo.

E eu, sem saber porquê, ou sei, caminharei por aqui a esfarrapar teclas para continuar uma outra caminhada sobre bits, sonhando e desfazendo sonhos, com ou sem a vossa companhia mas, certamente, com a companhia das flores.

 

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Sei que não há homens perfeitos mas, também sei que há uns mais perfeitos que outros. Sempre admirei Abraham Lincoln e, a sua casinha de madeira, por tudo que li sobre ele. Achava, noutros tempos, que ele seria um bom Rei do Mundo

publicado por Ventor às 16:13