Na Rota de Apolo

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Na Rota de Apolo, como o Vexiloide de Alexandre Grande



Planeta Azul - Na Rota do Lince Ibérico

O Lince Ibérico, retirado da Wikipédia atribuído ao "Programa de Conservación Ex-Situ del Lince Ibérico

Luis de Camões nos Jerónimos

Conversas de Tascas II

21.02.08

A conversa de tascas nunca acaba, e ainda na seqência das conversas anteriores, eu acabei por desistir do meu Ice Tee com sabor a manga, e mudei a agulha para uma cerveja bem gelada que aproveitei para ir bebericando, lentamente, para não deixar escapar nada do que por ali se dizia. Se assim não fosse, seria um desmancha-prazeres para todos os presentes se me virasse para o Ice Tee,

 

O copo de tinto e a cerveja, eram os meninos da festa e eu teria de participar nela com toda a calma deste mundo. E como, senão com uma cerveja na mão! São aquelas coisas que andam sempre na boca do povo e são fautores da festa.

 

Assim, assistindo às conversas entre os presentes, levei o copo de cerveja à boca e, ao mesmo tempo, fui olhando em redor. Pareceu-me quase irreal o silêncio que se fez, de repente, e passei a ouvir apenas a voz de uma rádio que se encontrava, numa prateleira da parede, por trás do dono da tasca.

 

Um tipo alourado, vestido com uma camisola vermelha, cossada nos cotovelos, deitava para fora toda a sua raiva por o seu FCP não ter trazido do campo que já foi sua glória, um simples empate que, segundo ele, bem teria merecido. Entretanto, um velho benfiquista, já entrado na idade, de cabelos brancos e um farfalhudo bigode, o consolava, acreditando que a raça do Dragão, no seu covil, inverteria a situação. Ao mesmo tempo acreditava que iriam arrasar os alemães!

"Amanhã, vai haver um novo julgamento, em Nuremberga, e para a semana, o teu Dragão deitará cá para fora todo o seu fogo venenoso e assim, acredito que vamos arrasar os alemães, lá e cá".

 

Aquele dragão, pintado de vermelho, olhou para o rádio com muita atençao e disse logo: "aí está um tipo que sabe o que diz".

Eu deixei de prestar atenção à conversa entre os dois, sobre aquelas suas dissertações fotobolística e passei a desviar, também, a minha atenção à conversa que se desenrolava entre os dois locutores do Rádio Clube Português e do seu interlocutor, mais um que partia tudo contra os políticos.

Desta vez, sentou, o Presidente da Câmara de Lisboa, o Dr. António Costa, sobre uma bigorna e malhou como se fosse em ferro duro. Eu que não percebia o que se passava, estava a entender que, bater no Dr. António Costa por causa da Câmara de Lisboa, não passava de um perfeito disparate pois ele não teria a ver com as misérias que atacam o Orçamento da Câmara de Lisboa, há muitos anos!

 

O interlocutor, na rádio, continuou: "essa gente é malta que nunca fez nada na vida .... esse António Costa é o responsável pela Lei das Finanças Locais e nem sabe para que a lei foi feita" ... etç. etç.

Mais uma vez, aquela rapaziada, olhou-me nos olhos e gritou que aquele intelocutor é que sabia o que dizia ...

 

Então, o tal velho benfiquista, aproximou-se de mim e perguntou-me descaradamente: "oh, amigo ... o amigo desculpe-me esta pergunta tola. Por acaso não é socialista, pois não"?

«Por acaso não! Políticamente não perco, nunca perdi, nem tenho intensões de perder o meu  tempo com nehum partido. Eles nem inteiros valem nada, quanto mais partidos! Mas, se quer saber (eu já me tinha apercebido que aquele homem era um ferrenho benfiquista), futebolísticamente, gasto parte da minha força anímica com as glórias e os fracassos do FCP e na Luz só gosto da águia espanhola. Mas a família é toda do Benfica. Já viu a minha sorte"?

 

"Oh, Torrão, tens aqui um portista como tu. Já não estás só"! Responde o Torrão: "eu nuca estou só, carago"!

 

E o benfiquista voltou à carga: "Acho bem, meu amigo. Não se meta com essa lástima de gente, sem vergonha. Todos se dizem socialistas mas é só para mamarem. E andei eu aí de cravo ao peito a ajudar todos esses crápulas. Para quê? Para isto? Todos se serviram, se servem e continuarão a servir-se daqueles que trabalham. E como os que trabalham já são tão poucos, viram-se para os reformados, para os doentes e até, veja lá bem, para os desgraçados dos deficientes" - e também apontou - "como este homem ali". "Essa malta não tem vergonha nenhuma! Todos eles, sem excepção, têm um chefe de partido que todos adoram. É o umbigo que são obrigados a rebocar! E, para isso, valem-se dos partidos"!

 

"Antigmente, haviam umas brigadas do reumático que nos exploravam até ao mais profundo do tutano, instaladas em S. Bento, em Belém e sei lá mais onde. Hoje, nota alguma diferença? Hoje o número de mamões é bem maior, porque hoje todos mamam e lá, nas castas, ninguém trabalha. Hoje essa escumalha faz dos seus "rapazotes licenciados", sabe-se lá como, acessores de uma casta de merda e a ganhar, mensalmente, ordenados vergonhosos que são uma afronta àqueles que realmente trabalham"!

 

O benfiquista, olha de relance para o rádio e volta á carga. "Já viu que nem o Presidente se aproveita? Antigamente escudou-se num tabu vergonhoso, hoje escuda-se com reservas que só ele é que sabe. Faz tudo com reservas! Imagine o Benfica ou o Porto a jogarem apenas com reservas! Esta malta está toda a brincar connosco! Só para receberem os ordenados chorudos, as pensões chorudas (muitas delas roubadas ao povo, sentados em secretárias onde foram forjadas as leis que os contentaram), não têm reservas. Para isso não têm reservas, não"!

 

Aproximou-se mais um indivíduo com cara de intelectual e começou, mentalmente, a falar-nos de estatísticas. "Sabe amigo ... sabe porque nós vamos na cauda da Comunidade"? «Bem, calculo! Há tantas versões»!

 

"Pois há! Há s versões dos vários Governos forjadas como quem forja uma ferradura para um cavalo. Toque daqui, retoque dali ... e eis-nos na cauda da Europa, sem sabermos ler nem escrever. Quando entramos, tínhamos a Espanha atrás, a Irlanda atrás, a Grécia atrás ... e agora? Vá ver as estatísticas amigo, senão ainda me diz que eu estou a mentir"

 

Mas eu tinha um objectivo! A dona do Quico ficou de me telefonar e eu ainda precisava de chegar ao carro que se encontrava afastado para depois passar para a pegar. Vou ter de fazer mais algumas das minhas pequenas caminhadas por essas tascas. As capelinhas do nosso povo, e tentar colocar aqui, preenchendo as minhas páginas brancas, com a voz que é a dele.

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Sei que não há homens perfeitos mas, também sei que há uns mais perfeitos que outros. Sempre admirei Abraham Lincoln e, a sua casinha de madeira, por tudo que li sobre ele. Achava, noutros tempos, que ele seria um bom Rei do Mundo

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publicado por Ventor às 19:03

Conversas de Tascas I

21.02.08

Como devem calcular, não será difícil, aqui, o vosso amigo Ventor não é santo. Pois não. Não sou santo nenhum!

Não bebo o vinho da missa nas igrejas mas, durante as minhas caminhadas, por vezes, cansado e sedento, vou dar com grande Maralhal que continua, à moda antiga, a beber o velho copo de três, do tal carrascão, que muitos de nós conhecemos.

 

 

O melhor é ver antes aqui a Família Pingas

 

Ou então, aqui     (Clique num destes links se gosta de cisnes)

 

Estes sítios, a que chamamos tascas, há quem lhes chame, as capelinhas do povo ... do povo, onde os Manéis, os Joãos, os Antónios, os Zés do Manguito e, muitos outros, apagam o fogo das suas angústias.

 

Nas tascas, nas tais capelinhas, fala-se de tudo. Até se fala da ASAE! E, falando-se da ASAE terá de se falar mesmo de tudo! A ASAE isto, a ASAE aquilo, mas enfim!

 

Mas os frequentadores das tascas não são apenas os constituintes da velha sepa lusitana que se enfrosca nessas capelinhas e, depois de toldados, chegam a casa e começam a bater nas suas Marias e, coitadas, nada têm a ver com as suas frustrações.

 

Ali, nas velhas tascas, encontramos, quase sempre, gente de quase todas as etnias e das classes sociais que constituem a nossa sociedade, a quem, normalmente, a vida corre mal, ou mesmo, muito mal!

 

Desde o trolha, o padeiro, o carpinteiro, o sapateiro, o chaufer de táxi, o condutor da carris, os reformados, o licensiado desempregado, os já pilulas da cabeça ... todos andam por lá. Uns a gastar os cêntimos dos subsídios que ardilmente vão conseguindo, outros a lavar o espírito das atrocidades com que o destino os brindou. Assim, nestes belos momentos de oportunidade onde tento saciar a minha sede, ouço nas suas conversas de tasca, a voz do povo.

 

Ontem, 20 de Fevereiro de 2008, mal entrei numa dessas capelinhas para beber o meu Ice Tee fresco e com sabor a manga, ouvi umas conversas muito animadas, saídas do meio dos frequentadores, velhos ou novos clientes da tasca, que foram meus companheiros, durante alguns momentos, não da minha caminhada, mas da minha pequena pausa durante a mesma. Tudo começou assim.

 

"Este país está podre"!

 

"Está podre em todos os sentidos e está podre, até, nas coisas mais simples. Faz-se um grande alaréu sobre tudo, mas não passa de conversas de chacha dos políticos. Quando é para trabalhar, nem os gajos trabalham, nem arranjam trabalho para quem tem o gosto e a necessidade de trabalhar".

 

"O Governo do Sócrates começou a governar este país sob o signo das aldrbices. Não cumpriu nenhuma promessa. Na campanha eleitoral foram só converss fiadas, promessas fiadas! Tudo muito bonito. Levou os incautos a votar nele (até eu, maldita a hora em que me levantei cedo), e mal tomou o poder, fez tudo ao contrário do prometido"!

 

"Começou a falar de reformas e, reforma que se digne do nome, ainda não vi uma"! A única reforma que me tocou foi o desemprego e agora, até para beber um copo, tenho de recorrer aos amigos".

"Foi ao bolso de todos os portugueses que trabalham, mas não foi aos bolsos dos políticos. Os políticos e os ditos gestores (os ditos gestores, ah ... gestores públicos, de empresas que já foram públicas e mais uma ou outra que nasceram privadas) são a escória da sociedade portuguesa. Permitem-se fazer tudo! Banqueteiam-se com o nosso suor. De quem é a culpa? Em S. Bento legislam como convém para eles. Primeirissimamente para eles. E não estão satisfeitos. Ainda querem mais! Os pobres "hominhos" ganham pouco"!

 

"Os portugueses, todos arrotam com língua de palmo e meio as quinhentas necessárias para manter toda uma chulice polítca, que mais não são do que uma classe de párias da nossa sociedade que, como sempre, vivem à custa de quem trabalha"

 

"Todos nós sabemos que é preciso fazer reformas, mas as reformas deste (des)Governo do Sócrates, só podem ter um nome: são as «reformas do saque». Sacam tudo ... e (virando-se para um deficiente sentado numa cadeira com as duas canadianas ao lado) até sacam os deficientes"!

 

"Vocês conseguem ver vergonha na cara destes ... destes ... deixo-vos os nomes à vossa escolha, há tantos"! ...

 

«De facto, é verdade tudo o que dizes», acorreu outro aplaudindo aquela espécie de discurso da oposição!

«A vida, em Portugal, só está boa para estes politiqueiros que avassalam o país e para todos aqueles que vivem de expedientes. Aliás, os políticos também só vivem de tramas e de muios expedientes e os que vivem de expedientes são mais que muitos. Este é um deles"!  (e apontou para um que estava sentado a ouvir os diálogos que se misturavam no meio dos frequentdores da tasca).

 

E continuou. "Eu já me apercebì, há muito, que este país é constituído por três classes: a classe dos políticos que tão bem sabem viver do expediente que a política lhes proporciona, a classe dos que trabalham ou que já trabalharam e a classe dos que vivem apenas dos expedientes que os políticos, em nome do social, lhes proporcionam".

 

"Costuma-se dizer que, no meio é que está a virtude. Mas eu não vejo virtude nehuma em deixarmo-nos expuliar como carneiros.

Alguém vê"?

 

 

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publicado por Ventor às 14:54

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