Dentro do meu Espírito existem muitas Páginas Brancas e existe também muita vontade de as preencher.

 

Há muitos anos atrás, eu já sonhava e sonhava, sobretudo, com um Mundo com muitos espaços vazios que me esperavam para os preencher. Tentei realizar os meus sonhos, mas como sabem é difícil, muito difícil preencher espaços para que não fomos talhados. Sempre fui um sonhador! Um sonhador pronto a realizar as suas venturas.

 

Como já disse algures, tal como o lobo percorremos montes e vales, estepes secas ou nevadas, serranias pedregosas e florestas sem fim, e tal como ele, eu Ventor, para além de tudo isso, persigo também a Caminhada dos Sonhos. Por isso, vou falar-vos do meu Mundo de Viagens. Viagens reais e viagens imaginárias. Aquelas que vos posso contar e aquelas que gostaria de vos contar. Esses sonhos têm-me perseguido e com eles tenho vagueado pelos mundos mais diversos.

 

Não sei porquê, acho que vos vou contar as viagens que sonhei e que sonho realizar. Para isso, conto-vos que, um dia, entrei numa Agência de Viagens já a sonhar. Perguntei sobre uma hipotética viagem até à América do Sul. Depois da conversa com o responsável pela Agência, peguei numa Página Branca de um jornal, daquelas que têm a publicidade encostada numa ponta e deixa toda a página para nós, tirei a esferográfica e comecei a traçar planos e a fazer contas. Rabisquei a folha toda e voltei à Agência. O senhor estava a preparar-se para ir almoçar e ia ser substituído. Apontou-me o seu colega de trabalho para tomar conta da realização do meu sonho naquele momento. Mas eu disse que não. Ficaria a nossa conversa para depois do almoço. Afinal eu não queria perder tempo a recomeçar tudo com outra pessoa por muito competente que fosse.

 

A vida é curta e eu precisava de apanhar o comboio anterior, na estação em que tínhamos ficado. Entretanto encontrei um amigo que já não via há muito e com quem fiquei na conversa ouvindo tudo que me contava sobre uma viagem que tinha feito e fiquei embasbacado. Afinal era a viagem que eu queria! O meu amigo seguiu para o metro que ia apanhar e eu fui também almoçar. Entrei num tasco de segunda mas onde o comer era de primeira. Parei à entrada da porta para rebuscar uma mesa vaga e vi um braço no ar. Lá estava o homem da Agência de viagens a convidar-me para me sentar à sua mesa uma vez que todas estavam ocupadas.

 

Nos bons tascos e baratos é sempre assim! Aceitei o convite e, enquanto escolhemos e esperamos, desenvolvemos a nossa conversa anterior. O homem da Agência, que já parecia mais um amigo que um simples conhecido de alguns momentos atrás, faz-me uma proposta. Ventor, porque não vai fazer uma viagem de sonho? Daquelas que nunca mais se esquecem!

 

Meu caro amigo, você é que é o especialista nessas coisas! Faça uma proposta séria para os valores que eu lhe falei. E eu decido-me já. Os parâmetros são os mesmos. Custos e tempo limitados! Aquele que eu já reconhecia como um amigo, disse: "Ventor, porque não uma viagem a Cusco? Mal se apanhe em Cusco já não quer saber de mais nada. 15 dias Ventor, e um preço justo"! Um dia contar-vos-ei esta viagem, entretanto, vou falando doutras mais curtas, mas muito interessantes!

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Sei que não há homens perfeitos mas, também sei que há uns mais perfeitos que outros. Sempre admirei Abraham Lincoln e, a sua casinha de madeira, por tudo que li sobre ele. Achava, noutros tempos, que ele seria um bom Rei do Mundo

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publicado por Ventor às 23:01