Todos nós temos vocação para alguma coisa. Eu até tenho, ou melhor, tinha, vocação para algumas coisas mas, as barreiras foram sempre tantas que acabamos por nos autolimitar.

Deixar de fazer opções, ou melhor ainda, terminar com projectos hipotéticos e lutar pela vida, noutras formas, sem prejudicar os outros. Consegui esse e outros objectivos que considero essenciais para a quietude da minha alma e de um espírito limpo.

 

Mas a vida não é apenas o que nós queremos, é muito para além disso! A quietude a que me refiro, não será uma perfeição do meu espírito mas foi uma vida limpa, quase sem mácula, até nos meus tempos de guerra posso dizer que assim foi.

 

Infelizmente, no momento actual, somos levados, cada vez mais, a revolver o mundo em que vivemos, procurando alguma réstia de verdade que ainda os homens de bem, possam transportar dentro de si. 

 

Verificamos, agora, que tudo aquilo que devia de ser interessante para nós e para a sociedade não tem na cabeça de muita desta gente que se dedica à política, à economia, à indústria, ao comércio, ... à Justiça, nada a ver com  o interesse colectivo da sociedade portuguesa. Futuros juízes que se irão dedicar, no futuro, à Justiça que tanto tem assolado este país pelos anos fora, são apenas e nada mais que isso, experts do copianço. Eu nem queria acreditar no que ouvia nos meios de informação mas, afinal, é mesmo verdade! Isto é a prova de que muitos dos célebres senhores que levaram este país ao afundanço, nunca fizeram nada na vida. Após o 25 de Abril, trabalhei muito para que outros aproveitassem as abébias que lhes eram oferecidas pelas mãos rotas daqueles que, aparecendo do nada, passaram a dominar a "pesada herança" que outros deixaram. Normalmente era malta que não trabalhava, que viviam à custa de "ses amis" que não vale a pena enumerar, porque todos conhecem, "les uns e les autres".

 

Depois apareceram as novas faculdades, do bodo aos pobres, com as passagens administrativas, o fechar de olhos, o deixar progredir os amigos ou os amigos dos amigos. Enfim, tudo que os portugueses que trabalham conhecem bem e aqueles que usufruíram disso, não gostam de ouvir falar.

Agora, aereamente, como tudo o que tem sido feito nesta terra lusitana nos últimos anos, apareceu o copianço dos futuros senhores da Justiça. Certamente, quem os apanhou a copiar já deve estar farto desse bodo aos pobres que levou o nosso país à incompetência que graça por todas as esquinas e que só não vê quem não quer.

 

Ainda ontem estive a apreciar um pouco do debate intestino entre os dois socialistas que lutam, internamente, pela cadeira do mando e chego sempre à conclusão que, realmente, por ali, não se aproveita nada. Eu nem sei bem o que eles dizem, porque, sempre que os ouço, debando, pelo menos afasto os meus ouvidos daquelas atoardas, como esta do Francisco Assis. Entre nós (os socialistas) e os da direita, existe um enorme oceano que nos separa! Pois existe! Só é pena é que esse oceano, em vez de ter afogado o país, não afogue, politicamente, por muito tempo, muitos dos socialistas que alargaram esse oceano, o consporcaram juntamente com a sua vida marinha.

 

O que mais consegue fazer eriçar o bigode do Ventor, nem foi apenas o copianço, mais que isso, foi a solução engendrada por todos esses "nabos" de fazerem a passagem administrativa de todo esse maralhal, com a pontuação mínima que lhes permitisse continuar a sua escalada ao assalto da incompetência.

No meu tempo, quem fosse apanhado a copiar, era apenas chumbado e nem se discutia mais.

 

Hoje discute-se tudo menos o essencial. Será porque os velhos incompetentes não querem competentes a fazer-lhe sombra?

É de pensar!

 

Uma vez, na Base Aérea 2, verifiquei que o ponto que tinha pela frente, sobre várias coisas, entre elas a propagação das ondas rádio na estratosfera, exosfera e sei lá que mais, implicava bastantes problemas de contas matemáticas.

Pedi ao Tenente responsável (eram dois abencerragens ali e a minha mesa era mesmo junto da deles. Um andava a observar, sempre de pé e o outro sentado), se me permitia fazer as contas numa folha de papel, à parte, para depois aplicar na folha do ponto (isto teria de ser sempre a correr, pois o tempo era curto, como sabem). Disse-me que sim e eu coloquei todas as minhas continhas em dia para, depois de responder às perguntas teóricas, as aplicar no seu sítio. Tirei a pontuação máxima, então 18 valores. Esse Tenente, apanhou dois tipos a copiar disse ele e, mesmo depois de me ter autorizado, decidiu embrulharem na festa do copianço. Chamou o Major Tomás, que se prontificava para dar o respectivo correctivo, mas eu que não me conformei com a atitude desse Tenente, dei réplica e só me faltou chamar-lhe nabo, coisa que não podia fazer. Disse ao Major Tomás o que se passara, ele voltou a olhar para o ponto. «18! 18, só com copianço, claro»!

Voltei à carga.

"Meu Major, não sei se os meus colegas copiaram ou não mas, provavelmente, copiaram tanto como eu. Se quer aplicar a tal Justiça de que fala, por mim, desafio-o a fazer outro ponto, não com a matéria deste, mas com toda a matéria desde o princípio e logo veremos se houve copianço ou não. Assim foi. Os meus colegas safaram-se com a sua pontuação normal e eu só não tirei os tais 18 valores, pontuação máxima, porque enganei-me numa conta e foram-me retirados dois décimos. Tirei 17,8 valores. O Major disse-me que esteve quase para me dar os 18, porque era uma coisa que eu sabia, mas um engano é um engano e tirou-me os dois décimos. Apertou-me a mão e desejou-me felicidades. Por entre dentes, à saída, disse-me que o tal Tenente era um nabo e aceitara a minha proposta, apenas, porque acreditara em mim.

 

Como tudo isto é tão diferente hoje!

 

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Sei que não há homens perfeitos mas, também sei que há uns mais perfeitos que outros. Sempre admirei Abraham Lincoln e, a sua casinha de madeira, por tudo que li sobre ele. Achava, noutros tempos, que ele seria um bom Rei do Mundo

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publicado por Ventor às 14:43