Hoje, a conversa não é de Tasca, mas é uma conversa de mim para vocês!

Quando eu tinha 10 anos, na 4ª classe, lá em Adrão, não havia livros e eu tinha de arranjar os livros corrrespondentes e, para isso, tive de mover o Carmo e a Trindade para conseguir obter o livro de História de então. Tanto os meus pais, como eu, pedíamos a toda a gente que se deslocasse aos Arcos ou à Barca que me comprasse o livro de história que não havia.

 

Quando obtive o livro, ele foi o companheiro que me acompanhou pelas minhas Montanhas Lindas e foi por aí que esse livrinho me mostrou, nas suas páginas, os Celtas, os Iberos, os Celtiberos, os Cartagineses, os Gregos, os Romanos, os Lusitanos ... os nossos reis e tudo o mais relacionado com o programa de História da época.

 

Eu abri o livro e, a primeira coisa que me chamou a atenção foram os "saiotes" daquela malta! Disse cá para mim: "tenho de estudar estes gajos todos. O melhor é começar já"!

Naquele dia decorei uma página e tal, quase duas. Era sábado e fui a Paradela para ver se me tinham trazido o livro da Barca e lá estava ele à minha espera. Subiu comigo os montes até às minhas vacas, a caminho de Adrão. Nesse dia, o primeiro dia da minha vida que dediquei à História, decorei uma boa porção das duas páginas e pensei cá para mim: "porque raio vou perder tempo com isto"?

Mas fiz o meu trabalho, achei eu!

 

No dia seguinte, um domingo, levei o livro comigo para os montes, mas só deu para ver as imagens e observar, sintéticamente, o que me esperava.

Na 2ª feira cheguei à escola e a professora Alexandrina, da Peneda, perguntou-me: "sempre conseguiste arranjar o livro, Ventor"?

Disse-lhe que sim, que o tinham trazido de Ponte da Barca e que o fui buscar a Paradela, no sábado.

"E então, já estudaste alguma coisa dele, Ventor"?

Disse que sim, que já sabia quase duas páginas.

"Então, Ventor, diz-me o que aprendeste"!

 

Eu comecei a ler "mentalmente" , desde o início, a página inteira, como se estivesse a contar um conto novo.

"Não é assim que se estuda história, Ventor"!

Mas eu não pude estudar mais. Eu achava que já era muito!

"Ventor, eu não quero que decores o livro. Quero que leias e assimiles o essencial do que lês. Depois eu cá estarei para vos orientar.

 

A partir daí, comecei a "assimilar"!

 

Tudo isto para vos contar o seguinte:

 - um dia destes, ontem, cheguei a casa e estava o nosso Première Sócrates, todo entufado, a discursar para o Congresso do PS e para nós, na TV. Eu vinha das compras. Arrumei uns sacos na cozinha e fui ao carro buscar mais, mas ao sair a porta da rua, verifiquei que caía uma grande chuvada. Para não ser enxarcado voltei para casa e esperar que passasse. Então, sentei-me no sofá a ouvir o que ele dizia.

 

Verifiquei uma coisa que, acredito, já todos concluimos. O homem sabe falar!

Mas, enquanto ele falava, eu lembrei-me do meu livrinho de história e daquela palavra, "assimilação". Então, resolvi olhar para trás e verificar o que "assimilei" de tudo o que o Sócrates nos trouxe de positivo como governante deste país, democrático, mas à deriva.

Sabem qual foi a conclusão que tirei?

 

Conclui para o meu gato que se tinha sentado ao meu lado, com um olhar crítico, como que a dizer-me: "estás a perder tempo com isso. Anda brincar comigo"!

Disse então:

- «sabes uma coisa Quico? Este homem tem jeito para manobrar as cordas da marionete»!

Depois de puxar pela cabeça e fazer uma retrospecção destes tempos de governação de Sócrates, conclui que ele não passou de um logro para a grande maioria de todos nós. Um grande logro!

 

A minha "assimilação" resumesse a isto: "ele foi um logro. Um falhanço total, relativamente às promessas que fez".

E agora? -  perguntarão vocês.

Agora, espero que não, mas acho que vamos continuar a ser a "boneca" com que o Sócrates se entretem. E isto, porque, olhando em redor do Sócrates e para além do Sócrates, a única coisa que assimilei foi esta: - «estamos lixados! Lixados com um F grande"!

 

 

 

 

 

***********************



Sei que não há homens perfeitos mas, também sei que há uns mais perfeitos que outros. Sempre admirei Abraham Lincoln e, a sua casinha de madeira, por tudo que li sobre ele. Achava, noutros tempos, que ele seria um bom Rei do Mundo

sinto-me:
música: The Sun Ain't Gonna Shine Anymore, dos Walker Brothers
tags:
publicado por Ventor às 21:43