Estou abismado!

Nunca me atreveria a focar essa "coisa" a que chamam Assembleia da República, como uma espécie de Curral!

Mas, de facto, julgo, extraordinário, sempre ter aparecido alguém, com dignidade e com a coragem necessária, para o fazer.

Seu nome é António Barreto!

 

Mas, antes de continuar, vou deixar aqui toda a minha consideração por António Barreto e pelo modo como descreveu o actual espectro partidário dessa cambada de oportunistas actuais que vão cirandando pelos partidos políticos. Todos sem excepção.

Mas vou dizer mais!

Esses homens, que levaram o nosso país à bancarrota, não passam de uma cambada de incompetentes. Uns foram actores, outros foram espectadores e deixaram andar ... nos trilhos que todos sabemos.

 

Qualquer "anedota" que tenha um mínimo de visão, ter-se-á apercebido, a tempo, dos azimutes que os responsáveis do PS seguiam rumo à falência. Muito antes da chumbada que atingiu as finanças internacionais, já as finanças e a economia portuguesas se encontravam num plano inclinado sem retorno.

 

Quando eu ouvia as intervenções de homens economistas dignos, como alguns do PS, Medina Carreira, Silva Lopes e outros de outros partidos, eles, nunca nos enganaram. Se calhar, porque não estavam obrigados a respeitar os desígnios dos seus partidos ou, já lhe tinham dado a patada.

Há tempos atrás, uma Rádio, a Rádio Nostalgia, enchia-me de músicas! Músicas das modas de outros tempos que me ajudaram nas minhas caminhadas, animando-me a alma. Só por isso, a Rádio Nostalgia era a minha rádio.

 

Depois passou a fazer parte de um outro sistema, demasiado politizado e longe dos meus interesses musicais - era a nova Rádio Clube Português. Como falavam demais e davam muito pouca música, eu deixei de ouvir essa frequência que tinha sido da Rádio Nostalgia. Passei a ouvir os meus discos. Os velhos e os novos. Mas, a minha companheira de caminhadas, rodava o botão da rádio e, por hábito ou por acidente, passava pela velha frequência da Nostalgia e entrava na "nova" frequência da Rádio Clube Português.

Foram aparecendo, por ali, gente nova, críticos assíduos desta governação desequilibrada levada a cabo por um "futuro ditador", se lhe derem oportunidade, chamado José Sócrates. Eu, para não ser desmancha-prazeres, fui-me habituando à ideia de ouvir a nova Rádio Clube Português, sempre intercalada com as minhas músicas.

 

Ao fim de algum tempo, disse: "não tardará muito, estes "gajos", vão ter trancas nas portas"!

 

Por um ou vários motivos, económicos, políticos, salgalhada dos dois, assim foi! Normalmente não tenho ligado a nada que seja político. Uma vez, um tipo, por acaso economista, chegou junto de mim e disse-me: "Ventor, estou com vontade de entrar para um partido! Estou, indeciso, em qual"!

«Tem bom remédio! Lê os programas deles e inscreve-se naquele que lhe pareça melhor! É simples, quando não somos nós a fazer o programa, temos de aceitar o que nos pareça melhor, feito pelos outros. Depois decide. Ou vai inscrever-se numa sigla»?

"Eu queria inscrever-me, mas não queria ter de andar aí pelas paredes, a colar cartazes e parece-me que todos os novos inscritos, temos de passar por isso. Você consegue imaginar-me a colar cartazes"?

 

Pois! Conversa daqui, conversa dali, acabei por lhe dizer que o trabalho é digno para todo o bicho-careta humano e colar cartazes era um trabalho como outro qualquer mas, pelos vistos, ele queria as benesses do partido, mas estaria pouco animado a trabalhar para ele. É isso que tem acontecido desde então. Se houver trabalho, se houver disputa, se não posso intervir no quadro do partido, se só tenho de me levantar quando me mandam, é o ideal para mim! Sentar-me na Assembleia, receber a ordem da fidelidade do voto e levantar-me. A chatice toda era ter de colar cartazes! Descer tão baixo, empunhar o rolo e a lata da cola e estender o cartaz?

Não! O partido não serve para mim.

"Mas olhe. Qual me aconselhava. O PS ou o PSD"?

 

Este, como outros exemplos que acompanhei, devem ser a norma nas hostes partidárias. Pelo que vi, os partidos apenas foram unânimes nos banquetes da Assembleia. Aquelas reformas especiais, ordenados e outras alcavalas, as votações foram unânimes!

De resto, cada um defende o seu "curral" e está-se nas tintas para o que se passa fora dele!

Eu vi, e descrevi para mim próprio, no chumbo do PEC 4 (para exemplo, porque houve muitas situações semelhantes) as mesmas "manadas" do António Barreto.

 

A coisa era séria! Não vi na oposição levantar-se uma voz a defender o PEC 4, nem nos ... (cala-te boca) do PS, um único a defender no seu partido, que o PEC 4 não passava de uma caca!

Isto diz-me tudo o que valem os partidos: «Ó! Se preferirem, zero»!

 

Mas ainda acho mais! O PEC 4, para além de uma vergonha em si, veio a seguir a outros 3, todos eles vergonhosos para um Governo que tudo prometeu e nada cumpriu. Mas para além do próprio PEC, em si, foi, também, a maneira ditatorial como o José Sócrates, sem carácter nem vergonha política, ter estado perante a Assembleia, meter o rabo entre as pernas e dirigir-se a Bruxelas, pavoneando-se perante a corte de políticos pindéricos vindos dos vários azimutes europeus que constituem o falhanço de Bruxelas.

Quanto a Bruxelas, todos os dias penso em sentar-me aqui e descrever essa desilusão. Mas desisto sempre. Envergonho-me de acreditar nas coisas e vê-las falhar com tanta facilidade.

Está a ser uma desilusão completa!

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Sei que não há homens perfeitos mas, também sei que há uns mais perfeitos que outros. Sempre admirei Abraham Lincoln e, a sua casinha de madeira, por tudo que li sobre ele. Achava, noutros tempos, que ele seria um bom Rei do Mundo

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publicado por Ventor às 22:50