Neste fim de 2004. eu tinha planos para passar umas festas em grande. Natal, Ano Novo, Dia de Reis! Mas, não!

 

 Fiquei sujeito ao mau humor dos elementos. Uma tristeza! Ao ouvir as primeiras notícias do Tsunami que aquele grande tremor de terra provocou, comecei logo a pensar que, como sempre, as primeiras notícias estavam a brincar comigo. Na minha primeira reacção, achei que, mais uma vez, a nossa informação pensava curto. Antes fosse verdade claro, mas um Tremor de Terra na escala 8,9 de Richter, com o máximo de 9, um Tsunami que barre todo o Índico e faziam aquela avaliação, pensei logo que bom seria se ficasse por ali, mas lembrei-me dos meus tempos de África e das notícias que um tremor de terra tinha arrasado grande parte de Lisboa.

 

Aqui era ao contrário! Eu sei que as coisas nunca são como nos dizem! Mas agora sei que todos ficaram a saber o que é um Tsunami. Também sei como é difícil ir ouvindo as notícias irem subindo todos os dias na avaliação atabalhoada de cada um. Também me lembrei daqueles que não voltariam daquelas praias maravilhosas do Índico, com um sorriso feliz instilado pelas passagens do meu amigo Apolo naqueles belos horizontes, a contar aos seus amigos e familiares como foram belos, e tão poucos, aqueles dias de praias brancas!

 

Por isso, nos últimos dias de 2004 e primeiros de 2005, apenas a tristeza foi minha companhia ao recordar toda aquela pobre gente que gozando a vida ou trabalhando, tanto tem sofrido. Na noite do fim de 2004 e princípio de 2005, na noite escura, onde Diana tentava algum brilho, num silêncio medonho nos campos de Santarém, apenas tive o pio triste e arrepiante duma bela coruja. Após o champanhe, passas e cumprimentar toda a minha gente que tentava manter os seus sorrisos de esperança num novo ano, saí para arejar no silêncio da noite onde já raiava o novo ano. As minhas companhias foram Diana, lá no alto, triste, e sobre um poste à minha frente, uma menina a que chamamos coruja.

 

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Na frescura da noite, eu e a coruja conversamos imenso sobre o ano que acabara e o que o mundo nos espera no decorrer deste novo. Falamos de tudo! Das crianças arrancadas das mãos dos pais e levadas no tsunami, das placas tectónicas, das hipóteses que o mundo tem para controlar, na medida do possível, as partidas com que a Natureza nos brinda. Recordei a Indonésia e o ódio que lhe votei por Timor e como agora me dói vê-la sofrer tanto!

 

Caminhei dentro do livro de Camões, com os nossos Lusíadas e passei para além da Taprobana e como nos meus ouvidos têm tilintado, durante todo este tempo, as palavras Ceilão, Sumatra, Índia. Arrepiam-me as notícias que me falam dos energúmenos que pululam por todos os cantos do Mundo e como é possível que se aproveitem destas calamidades para fazer sofrer, mais ainda, aqueles que já tanto sofrem! Fariam muita falta as forcas do Marquês, em terras do velho Ceilão, Sumatra e enforcá-los nas costas daqueles belos mares à medida que fossem apanhados!

 

Só assim, outros energúmenos que eventualmente teimassem em substituí-los, recordariam que, afinal, as crianças do Mundo, também são nossas! Mas quem sou eu?! Caminho, caminho, caminho e, nesse caminhar, posso, a qualquer momento, encarar com o fim das coisas boas, com o fim das coisas más, com o meu próprio fim. Mas a coruja disse-me que afinal, eu próprio, ainda não tenho razões de queixa, pois Deus ainda me dá forças para chorar a tristeza dos infelizes. Por isso, espero que o 2005 seja melhor que o 2004. Vamos tentar caminhar com passos seguros nos trilhos deste Novo Ano e ter esperança de não chorarmos mais as desgraças dos outros nem que os outros chorem as nossas. Tenhamos Fé e caminhemos de mãos dadas!

 

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A máquina e o homem precisam de dar as mãos para que Apolo continue a iluminar os nossos semelhantes.

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Sei que não há homens perfeitos mas, também sei que há uns mais perfeitos que outros. Sempre admirei Abraham Lincoln e, a sua casinha de madeira, por tudo que li sobre ele. Achava, noutros tempos, que ele seria um bom Rei do Mundo

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publicado por Ventor às 21:10